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sabe lá, deus... (lLu Horta) sabe lá, deus! • o que é que eu vou fazer? • tô esperando, esperando, • o meu cabelo crescer. • sabe lá, deus, • que atitude tomar: • se eu fico quieta, parada, • ou chuto o balde pro ar... • sabe lá, deus, • se ele vai voltar! • tô esperando, esperando, • tudo isso passar. • rezo para os céus, • pedindo a sua mão. • não cai nenhum anel, • nenhuma solução... • franciscos, mateus • antônios e luís: • famintos guris, • todos bem no meu nariz. • tantos homens nessa terra • e eu escolhi esse infeliz!? • sabe lá, deus... participação especial na programação de bateria: rodrigo fonseca

pálpebras (lLu Horta) pingo pingou, • goteira caiu, • o chão molhou, • menino chorou. • a lua subiu, • o céu se encantou, • a vida se abriu e o tempo • parou. • por detrás das minhas pálpebras • entreabertas, • uma fresta com vista para o mar. • o vento que passou • bateu na nuca atrás da orelha, • descabelando o pensamento. • a chuva que caiu • bateu no peito do lado esquerdo, • molhando o medo. • e o sol apareceu, foi bem no meio, • esquentou meu corpo e você veio. • por detrás das minhas pálpebras • entreabertas, • uma fresta com vista para o mar

o anel (lLu Horta) bota o anel no seu dedo • e vai ver o sol • nascer pro dia. • toma o sol desse dia • e vai ver o anel • brilhar no dedo. • bota o dedo no sol • e vai ver o anel • queimar o dia. • toda luz que vem, • não tem pra quem, • ninguém vê. • quem não tem a fé, • a luz, não crê • nos pés nus.

o poço (lLu Horta) roendo um osso, • pedindo esmola, • tô caindo moço, • mas bem no fundo do poço • tem uma mola... • não vejo a rua, • não tenho memória, • tô descendo nua, • lá pro fundo do poço • onde tem uma mola... • tá girando um mundo • aqui bem no fundo • tudo dentro e fora • dá pra ver do poço, • mas vou subir agora. • soltei meus cachorros, • rasguei a sacola, • gritei por socorro, • eu tô no fundo do poço... • tá girando um mundo • aqui bem no fundo • tudo dentro e fora • dá pra ver do poço, • mas vou subir agora, • tá na minha hora, • rasgando as paredes • pra não ter demora. • quero ver a vida, • eu venho de um poço... • e a morte não tem hora

fiorina (lLu Horta) a menina fiorina, • com uma saia turmalina • e sapatinho de algodão, • rodopia pelos ares num trapézio voador • lá na rua do sabão. • multidão vem aos milhares • só pra ver a bailarina • com sua saia turmalina lá na rua do sabão • vai do chão até a lua pendurada no trapézio... • quem não viu morreu de tédio, fiorina pendurada no trapézio! • quem não viu morreu de tédio, fiorina pendurada no trapézio! • até que um dia se cansou, • se lançou pro infinito, • largou mão do seu trapézio e foi atrás do seu amor. • procurou por toda parte, céu e mar até em marte, • mas, sem sorte, não achou. • entristeceu, teve paúra, • não suportou tanta amargura... • a menina fiorina,• reclamando a sua sina, • se jogou lá do trapézio pra acabar com a sua dor. • foi quando então apareceu no momento da tragédia • o palhaço cantador: • numa mão tinha um pandeiro, na outra mão tinha uma flor, • mas segurou a fiorina, evitando a sua morte, • conquistou o seu amor, oh, oh! • a menina fiorina, um grande amor de fogo e aço, • se casou com o palhaço e descansou seu coração. • a mesma saia turmalina, sapatinho de algodão, • lá na rua do sabão. • quem não viu morreu de tédio, fiorina e o palhaço no trapézio! • quem não viu morreu de tédio, fiorina namorando no trapézio! • quem não viu morreu de tédio, o namoro com o palhaço no trapézio! participação especial na viola caipira e guitarra: joão erbetta

quitandinha (lLu Horta) abacaxi, maracujá, • jabuticaba, açaí, kiwi, cajá, • banana-ouro, pêra e maçã, • laranja-lima, abacate e romã. • zumbido da abelha farejando flor • na labuta do sabor. • eu quero a boca com gosto de fruta, • a volúpia e o amor. • o que deus dá é bom, • tá pronto pra comer, • vou perder o tom e • beijar até “morrer”... participação especial na viola caipira e guitarra: joão erbetta